OSCULATÓRIO DA BRUXA
Quarta-feira, Agosto 31, 2005
Eu sempre gostei muito desse texto.
Hoje estou colocando ele aqui.
A primeira vez que li estava mesmo sentindo essa dor, foi em Julho de 1998 (fresquinho)
Eu não sou fã da Marta Medeiros mas tenho que adimitir: ela dá uma dentro de vez enquando...
desfrutem...
{SE TU TÁ AQUI LENDO, NÃO CUSTA NADA COMENTAR !!!!}
A DOR QUE DÓI MAIS
20 de julho de 1998
Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o escritório e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua pintando o cabelo de vermelho. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango assado, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua surfando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ele está com outra, e ao mesmo tempo querer. É não querer saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo querer. É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
garatuja de Cris Voando! às 9:12:29 PM
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OSCULATÓRIO DA BRUXA
Sexta-feira, Agosto 26, 2005
Saudade Veneno
Como você foi parar aí?
Quem lhe tirou aqui do meu lado
Arrancando um pedaço de mim?
Se foi Deus, eu o odeio
Se foi o diabo, eu o detesto
Mas se foi você mesmo...
Por que não me levou junto?
Começo a odiá-lo a cada minuto dessa vida que me resta
E quando eu chegar aí,
Vou fazer você beber até a última gota do meu sangue envenenado
pela falta que me faz sentir agora.
garatuja de Cris Voando! às 5:33:46 PM
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OSCULATÓRIO DA BRUXA
Quarta-feira, Agosto 17, 2005
Não digas nada!
Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender -
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer
Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.
(Fernando pessoa)
garatuja de Cris Voando! às 12:34:25 AM
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OSCULATÓRIO DA BRUXA
Quarta-feira, Agosto 10, 2005
O seu lugar
Deus me deu a vida
Com ela faço o que quiser
Quero ser feliz
Até perdê-la
Perco-te, mas não a vida
Procuro, mas não a vida inteira
Escolho bem,
Mas elejo alguém
Descobri
Que não morro de amor
Nem pela falta dele
Não sinto falta dele
Substituo-o e sigo
EU: VIDA.
EU
Na era de aquário
Eu: sagitário
Na hora do pico
Eu: no pico mais alto da Noruega
Na vida
Eu: amor
Na discussão
Eu: sorriso
Na solidão
EU. E basta
garatuja de Cris Voando! às 1:05:01 PM
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